A grande estratégia “Schengen para a defesa”

(Fórum da Escolha, in Facebook, 05/02/2026, Revisão da Estátua)


A União Europeia cai no ridículo quando descobre que metade dos portos da Europa já são propriedade ou controlados por não europeus, nomeadamente chineses…


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Imaginemos, por um momento, que Bruxelas é como um estudante estudioso que, em vez de fazer a revisão para os exames, descobre no exame final que metade dos portos da Europa são propriedade (ou estão sob o controlo operacional) de empresas chinesas. Não, isto não é uma piada de mau gosto no final do mandato: é o que Il Fatto Quotidiano revela em italiano, numa investigação que causou claramente mais suores frios na Comissão Europeia do que a perspetiva do Brexit 2.0.

Para os planificadores da União Unificada de Gestão de Crises, a imagem é digna de um mau guião de filme de baixo orçamento: o “plano Schengen” de defesa europeu, que prometia harmonizar a mobilidade militar e as capacidades de resposta às crises, corre o risco de ser apenas…teórico. Porquê? Porque as infraestruturas estratégicas, os portos, os terminais e as redes de transporte já não são “legalmente acessíveis” aos estados europeus se forem requisitadas para um esforço de guerra contra um ator como a Rússia.

Uma sequência esclarecedora do artigo: “A Europa, no meio do seu frenesim belicista, está a esquecer-se de um aspecto crucial: algumas das suas infraestruturas estratégicas já não são totalmente controladas por países ou empresas da UE…”.

Sim: enquanto Bruxelas redigia o seu Livro Branco sobre a defesa, a “Preparação 2030” e o seu lendário pacote “ReArm Europe“, destinado a mobilizar mais armas, orçamento e mobilidade militar, parte do acesso físico aos actuais teatros de operações (portos, terminais) já tinha sido vendida, arrendada ou concedida a atores não europeus, nomeadamente chineses.

A ironia estratégica não surge sem precedentes. Em teoria, desde 2016, a UE tem defendido a “autonomia estratégica” – a ideia de que a União poderia agir de forma independente numa crise, sem depender exclusivamente de aliados como os Estados Unidos. Mas hoje, se esta autonomia se concretizasse face a um conflito, esbarraria num muro de terras e em concessões contratuais concedidas pela própria UE em nome do mercado livre.

Um paralelo cruel mas relevante: já em 2023, o Parlamento Europeu apelava a controlos mais rígidos sobre o investimento estrangeiro em infraestruturas críticas – portos, cabos submarinos, redes, etc. – para enfrentar os riscos de dependências estratégicas, particularmente da China. Mas essas recomendações soavam apenas como um tropo literário: “Boa ideia, mas tarde demais”.

Entretanto, a Comissão Europeia está a esforçar-se por reinventar conceitos como a gestão unificada de crises e a mobilidade militar, esta última incluindo tentativas abstratas de criar um Schengen para a defesa que “reduziria as formalidades nacionais em emergências”, por um período limitado de um ano.

Assim, a UE, autoproclamada campeã da integração, do mercado único e da mobilidade sem fronteiras, encontra-se com um pé na autossatisfação doutrinária e o outro no mundo real onde as infraestruturas estratégicas estão potencialmente indisponíveis, no caso de uma grande crise.

Mortalidade estratégica paradoxal: quanto mais a UE se abriu ao investimento estrangeiro para “estimular a competitividade”, mais corroeu a sua própria capacidade de resposta soberana.

Uma lição preocupante? Sim. Não se constrói a soberania estratégica vendendo os portos àqueles que poderiam tornar-se os nossos inimigos em caso de uma crise. Por outras palavras, a União não perdeu uma guerra: simplesmente perdeu as chaves legais dos seus portos.

E isso, queridos leitores europeus, é muito mais mortificante do que um mau guião de um filme de espionagem.

(@BPartisans)

9 pensamentos sobre “A grande estratégia “Schengen para a defesa”

  1. Não concordo em absoluto com as lérias do Alforriado que, pelos vistos não perdeu o jeito do escravo que continua a defender os que o escravizavam.

  2. Estou me nas tintas para insultos. Já passei na vida o que muitos dos que me insultam nunca aguentariam por isso estou a vontade e por isso continuo por aqui.
    Estou me nas tintas para o que eacravos que se dizem alforriados me chamam.
    Esse escravo vai hoje engolir um 🦣.
    Porque vai engolir alguém disposto a virar a vida de todos nós do avesso.
    E que se esta nas tintas para jagunços como ele.
    Mas se o homem é masoquista deixa lo ser.
    O que é preciso e que quem não e va votar.
    Que não se fie em sondagens dado que estas são um reflexo do que supostamente vamos fazer.
    E se não formos fazer estamos lixados com f muito grande.
    Para ver se adiamos este pesadelo por mais cinco anos na esperança de que daqui a cinco anos haja menos gente tão de mal com a vida que queira dar ainda mais cabo da vida a outros.
    Viva a liberdade. Fascismo nunca mais.

  3. O Forum da Escolha está preocupado com a infraestrutura portuária, eventualmente aeroportuária, ou se a EDP é deste ou daquele estrangeiro.

    Já por aqui for dito qual o problema da Europa ( seja essa coisa o que for) em termos militares. O de quase todo o armamento ter a impressão digital dos americanos. Os F16 voam, mas depois as peças vêm de onde? A parte electrónica é passível de ser inibida, um pouco ao estilo daquela conversa entre o Pato Anselmo e o Brito e Cunha na Ribeira das Naus (que agora é aquela Kagada que se vê no local (lavagem, apagamento da memória, já nem sei quem era o dono de Lisboa, se calhar o grande injustiçado Bosta do partido do seguro … ) mas a esquerdalha-pacifista fumadora de charros adora, nada de canhões, muita manteiga, estilo último tango em Paris): Cavalaria, não combate Cavalaria disse o Pato Anselmo, assim está o armamento americano, não dispara contra qualquer um.

  4. O Forum da Escolha a avaliar pelo que apresenta, anda a navegar às apalpadelas. Ou formado, digo eu, por “pacifistas”, acha que o que está escrito nos papéis vale alguma coisa. Ou é composto por “pacifistas” ou anjinhos.

    De Gaulle disse que, os tratados são como as rosas e a a beleza das jovens, duram, enquanto duram.

    O comentador famousbeard6927436c11 foi claro.

    Até o Whale project conseguiu nos dois primeiros parágrafos ser um comentador normal, mas não há bem que sempre dure, nem mal que não acabe, e a costela de Orka-vermelha teve que vir ao de cima.

    Este nunca conseguia passar à clandestinidade. Ao segundo dia ia dentro e ao terceiro entravam mais uns quantos, porque ele ansioso pela Sua Liberdade, denunciava o Aldragaio como autor da morte de Cristo e o Piçarreira como tendo morto o D. Sebastião e escondido o corpo.

    Vão lá dormir, que amanhã têm que engolir o 🐸.

  5. Não se percebe o porquê de tanto alarmismo! Basta lançar mão dos nossos valores: “the rules-based order”. Como aconteceu no Panamá!
    Há anos que o canal era administrado por uma empresa chinesa, que ganhou o respetivo concurso e passou a administrar aquela infraestrutura, ao que dizem de forma exemplar.
    Até que o Panamá recebeu uma rules-based order from you know who; e o Supremo Tribunal do país declarou o estado de coisas inconstitucional. Got it?

  6. Isso não é problema. Em caso de guerra ou real preparação para a mesma requisitam se as estruturas e pronto.
    Foi o que sempre se fez, por isso não interessa a quem elas pertencem.
    O que devia interessar nos e que devíamos exigir a esta gente que tivesse vergonha no focinho e se deixasse de guerras.
    Que nos tratasse com decência, respeito e humanidade.
    Que em vez de dar dinheiro para geradores na Ucrânia ajudasse, por exemplo, quem ficou sem casa no último temporal.
    Que deixassem de comprar energia mais cara aos Estados Unidos, que abandonassem o desejo de pilhar a Rússia, já para não falar no Irão, que finalmente encontrasse o caminho do negócio honesto e da decência.
    Mas isso se calhar e pedir muito.
    A quem pertencem os portos europeus e o menor dos nossos problemas.
    O maior dos nossos problemas e este desejo de guerra que pode acabar muito mal e já nos está a custar muito dinheiro e direitos.

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